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Projeto Arqueológico de Ilhabela |
Fortificações
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O Canal de São Sebastião possuía grande movimento e importância comercial no século XIX. Sua proteção era vital e para tanto foi elaborado um sistema defensivo onde os fortes de Ilhabela e São Sebastião se complementavam. Totalizavam oito fortes, sendo os de Ilhabela os seguintes:
Sítio Forte Ponta das Canas, 2000 Ao contrário dos fortes grandiosos construídos em outras partes do Brasil, na região optou-se pela construção de pequenos e numerosos fortes. O esquema arquitetônico dessas fortificações era bastante simples. Os fortes da Feiticeira e do Rabo Azedo possuíam o mesmo desenho, consistindo em uma parte frontal em meio circulo, continuado por paredes laterais e traseira retas, terminando com um formato retangular. Ambos possuíam três canhões cada, sendo dois na frente e um na parte lateral direita, próximo ao “pau da bandeira”.
Planta original do Forte da Feiticeira Planta original do Forte do Rabo Azedo Acervo: Arquivo do Exército. Reprodução: Fundamar O forte de Villa Bela era o principal e o maior da ilha em funcionamento. Localizado em frente à Vila, possuía quatro canhões. Foi construído no formato de meio círculo, alcançando-se o seu interior através de uma rampa de acesso. Os fortes da Feiticeira e do Rabo Azedo, segundo referências documentais, distanciavam-se 3000 braças (6,6 km) e 2000 braças (4,4 km) do Villa Bela respectivamente. Considerando que uma braça equivalia 2,20 metros.
Planta original do Forte da Villa Bella Acervo: Arquivo do Exército. Reprodução: Fundamar O último forte a ser construído foi o Ponta das Canas e, ao que parece, nunca foi concluído. Ainda no século XIX, a planta deste forte continha o seguinte texto: “Principiado ha annos, de alvenaria, (...): a sua conclusão seria útil, por defender a entrada dos navios. Acha-se coberto de matto, e não tem huma só pessoa de artilharia”.
Detalhe do muro feito com blocos de pedra. Sítio Forte Ponta das Canas, 2000 Sua planta diferencia-se totalmente dos demais, tendo seis paredes, sendo quatro as principais. Provavelmente, nunca chegou a ter canhões instalados. Este é o único forte que foi preservado, podendo ser observado ao lado do farol da Ponta das Canas. Sua conservação deveu-se ao esforço e conscientização da proprietária do imóvel. Situação inversa ocorreu com o forte da Feiticeira, destruído pelo então proprietário com a utilização de maquina, até não restar uma só pedra no local.
Planta original do Forte Ponta das Canas. Acervo: Arquivo do Exército. Reprodução: Fundamar Sobre os canhões, vamos analisar aqueles poucos que restaram em Ilhabela, pois alguns foram roubados das fortificações e, provavelmente, enfeitam os jardins de casas de pessoas com pouco apreço pela vida em comunidade. Sabemos que esses canhões não eram fabricados no Brasil. Partindo dos quatro canhões conhecidos e expostos na Vila, constatamos que três deles são do padrão Armstrong, produzidos no Reino Unido entre 1722 e 1792. “Armstrong” é o nome do General que introduziu esse armamento nas forças armadas inglesas em 1722. Feitos de ferro fundido, possuem calibre entre 120 e 140 milímetros. Já o quarto canhão pertence ao padrão Blomefield, produzido entre 1792 e 1830, também no Reino Unido. Por vezes encontramos uma numeração gravada nos canhões e que, erroneamente, associa-se a sua data. Não é o caso dos canhões de Ilhabela, mas são observados em São Sebastião. As três seqüências numéricas indicam valores referentes ao seu peso que, convertidos e somados, corresponde ao peso da peça inteira. Assim, o primeiro número expressa os chamados “quintais” (equivalente a 50,736 Kg na Inglaterra), o segundo informa as arrobas (12,684 Kg) e o terceiro as libras (0,453 Kg). Tais peças poderiam ter sido feitas sob encomenda pelo Império Brasileiro ou terem sido adquiridas já usadas. Ora, a partir de 1792, conforme assinalam Castro e Andrada (1993), os canhões Armstrong da Armada Inglesa foram sendo substituídos pelos Blomefield. Aqueles canhões, após serem aprovados em teste para verificar seu estado, eram destinados às fortificações em terra, enquanto que os rejeitados eram vendidos para outros países. Certamente, muito ainda descobriremos sobre as fortificações de Ilhabela. Objeto de estudo e de aproveitamento turístico, educacional e museológico, o forte Ponta das Canas e os canhões existentes em Ilhabela estão contemplados no Projeto Arqueológico de Ilhabela. |